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29 de jun. de 2011

Giovanna Lancellotti: Estar bêbada não dá o direito do homem transar quando a mulher não quer.

Leio o blog da Lola já algum tempo e no post “O mundo está cheio de psicopatas”, a Mariana, que é outra leitora do blog como eu, citou nos comentários uma cena de Insensato Coração onde a tal personagem Cecília, completamente bêbada e sem coordenação nenhuma, mal ficando acordada e sem como reagir, transa com o personagem Vinícius.
E qual o meu espanto ao ver hoje no programa TVFama! a atriz sendo entrevistada e ela culpando a sua personagem pela transa e não o personagem Vinícius que não tem o direito de transar quando a mulher não quer!
Giovanna, você está usando o velho discurso machista de culpabilização da vítima. Pra você entender o seu erro de pensamento absurdo sugiro que você leia o post já citado e o post “A terrível história da Líder de Torcida Estuprada”. Mas se você não entender e não concordar ainda com estes dois posts da Lola, leia este.
Mesmo que sua personagem não lutasse com muita força contra o Vinícius, ou que ao mesmo tempo desse a entender que queria, o seu personagem não estava em suas plenas faculdades mentais para dizer sim com convicção ou a ponto de lutar para não transar, portanto nem o Vinícius nem ninguém tem o direito de transar com você sem a sua permissão clara e cristalina. O que será que você acha quando um maluco entra em um hospital e mantém relações sexuais com  uma paciente em coma, ou alguém com um retardo mental? Pra você seria uma transa? O princípio é mesmo Giovanna, é estupro e tanto é que quando algum caso vem a tona todos tacham de estupro, e porque o seu caso não? É estupro do mesmo jeito.
Acho que pra você, as Marchas das Vadias deva ser mais um carnaval fora de época né? Se é que você sabe que houve. Mas a Marcha das Vadias não foram Marchinhas de Carnaval fora de época não. Foram Marchas para se exigir respeito dos homens para nós mulheres. Pra mostrar para os homens que quem manda em nossos corpos e nossas vontades somos nós mulheres . Que o corpo é nosso e SOMENTE NÓS é que devemos escolher se quer ou não transar. A Marcha foi para mostrar que o estupro é uma questão SIM de poder, de dominação. Portanto Giovanna, espero que você repense este absurdo que você disse e comece a estudar sobre este assunto, pois infelizmente muito mais mulheres são estupradas diariamente com a desculpa dos homens que estavam bêbadas e elas queriam, mas não elas não queriam.

21 de out. de 2010

Absurdo: Vizinhos de Georgia Brown preferem o silêncio de sua morte ao seu grito de socorro.

Hoje estava inconformada em não ver notas na grande imprensa sobre o caso de Georgia Brown. Aquilo estava me incomodando e comecei a fuçar um pouco na net para ver se encontrava algo na grande imprensa. Pelo nome dela encontrei muito pouco no geral, e pelo nome do monstro também, mas foi pelo nome do monstro que eu encontrei um site que noticiou o fato e que abre espaço para comentários. Ela postou um comentário de agradecimento. Este comentário dela me deixou revoltada por uma revelação que ela fez nele:

... tenho stúdio em casa e quando to produzindo e mixando entro madrugada a dentro com o som no talo e ng reclamava quando eu estava em fase de gravação ano passado. Quando recebi diversas multas esse ano, devido ao barulho, o tal barulho que se referiam era "o meu choro, gritos de socorro, desespero e dor", isso incomodava os vizinhos, "o espancamento diário, e quanto ao o som alto de madrugada não!" ...

Espera aí! Os vizinhos preferem o silêncio da morte dela do que os gritos de socorro? Preferem música alta do que um pedido de ajuda, um pedido pela vida?
Além de todo o problema que enfrentamos com a discriminação como relatada no post anterior, a sociedade simplesmente assume que prefere ignorar que o vizinho ao lado espanca a mulher. Ou seja, se aquilo não me atinge problema deles, mas que não me incomode. Isto só interessa para sociedade quando vira um reality show, ou se é com alguma celebridade.

Agora se for do lado de sua casa e que não tragam benefícios, eles ficam, cegos surdos e mudos. Mas já vi algumas pessoas comentando, preferem ser cegos surdos e mudos porque fazem o mesmo. E aí como vão entregar quem faz tamanha crueldade se na própria casa praticam tal alto?
Até quando a sociedade vai fingir que luta contra a violência da mulher?

Quantas novas Eloás, Daniela Perez, Sandra Gomides, Mércias, Elizas da vida precisam morrer para que a sociedade de fato acorde e grite BASTA DE VIOLÊNCIA? Será que a sociedade está esperando virar somente uma sociedade de homens?
Infelizmente a grande maioria que luta são aquelas pessoas que de alguma forma foram vítimas de tais atos como as próprias mulheres, e outras vítimas diretamente ou indiretamente envolvidas e não a sociedade como um todo.
Infelizmente este comportamento independe de posição política. A mudança de comportamento depende é da sociedade e não de um partido político. 
Enquanto a sociedade não se mostrar indignada com tais atos, não haverá mudanças, mesmo sendo governo A, B ou C.


20 de out. de 2010

Um texto sobre a violência doméstica e no geral (com uma música hino)

Ontem no twitter estava comentando sobre a música Malo de La Bebe Bellota, onde a mesma é um hino contra a violência doméstica praticada contra a mulher, tanto que dei a sugestão de se tornar o hino oficial da Lei Maria da Penha, tamanha a força da letra.
Bom, qual não foi o meu espanto, que 1 hora depois vejo a entrevista da cantora ítalo-brasileira Geórgia Brown à Luciana Gimenez no programa SuperPop, (link de uma nota na internet sobre o caso: aqui) revelando o seu martírio na qual sofreu no casamento, onde o seu marido a espancava todo santo dia. Alguns relatos do que o monstro fazia nela é pior que filme de terror ou de um Sqweegel (quem leu Grau 26 vai entender) da vida. A primeira surra que Geórgia teve do marido lhe provocou um corte profundo em sua cabeça na qual saia sangue como um chafariz segundo a própria e que ficou dois dias neste estado. Também teve o braço quebrado no pior estilo “torcer uma toalha molhada” ao ponto do braço em questão ficar torto. Teve partes da perna furada com chave de fenda. Chegou a fazer show com a costela quebrada.
A situação de Geórgia era agravada por dois fatos: Geórgia é deficiente visual, onde não tem a visão de um olho e o outro ela tem somente 20% da visão e o fato também dela ter um filho de outro relacionamento. (Dá pra enquadrar no ECA o monstro, e se tiver alguma lei específica que protege deficiente físico também enquadrar)
Além das surras e torturas diárias, o monstro se aproveitava dela financeiramente, visto que ela nunca teve contato com o lado financeiro de sua carreira, e também a humilhava levando à sua própria casa, amantes que assistiam as surras na qual ela era submetida.
Muitas vezes ela gritava pedindo socorro (e quem conhece a sua biografia sabe o poder de sua voz.) para os vizinhos (morava ao lado do Copacabana Palace Hotel) e nunca teve uma única ajuda sequer e nem ajuda da sua equipe de produção, pois ela era obrigada a levar o marido como um verdadeiro cão de guarda.
Finalmente em um descuido dele, ela consegue fugir do cárcere privado em que estava vivendo durante 6 meses com a ajuda do filho e fez a denúncia a policiais próximo do local onde morava. Ele é preso em flagrante e na prisão cometendo suicídio. Infelizmente, mesmo com toda a tortura que ela sofreu por parte dele, ela acabou desenvolvendo a doença Síndrome de Estocolmo, que é quando a vítima toma afeição pelo seu algoz.
O que me deixa revoltada é que foi necessária a criação de uma lei para que casos assim fossem denunciados, investigados (e casos assim ainda precisam de investigação, mas se devemos seguir a lei, que seja necessário) e julgados e as vítimas fiquem protegidas e todo o processo seja feito da forma mais dura possível.
Se a polícia seguisse verdadeiramente o código penal, não haveria a necessidade da criação de uma lei específica em que defenda a mulher, ou uma lei que defenda os idosos, ou uma lei que defenda as crianças e adolescentes contra a violência e maus tratos, uma lei que defenda os homossexuais, outra que defenda os negros. Não estou condenando a Lei Maria da Penha ou qualquer outra no sentido de defender, muito pelo contrário, se ela está aí é para ser aplicada (Graças a Deus o STJ entendeu que somente o BO já é suficiente para a abertura do processo criminal), mas vamos analisar: A nossa Constituição diz que somos todos iguais perante a Lei, mas desde antes das Leis específicas, onde mulheres, homossexuais, negros, idosos, crianças e adolescentes, quando procuravam a justiça para se defender de violência, os crimes praticados contra estes grupos nunca eram tratados da forma que a lei deveria ser tratada, ou seja, investigando e punindo. Na maioria das vezes (diria quase 100%), as vítimas são ignoradas ou durante o BO (quem já foi em uma delegacia sabe como que é) ou durante o processo investigativo ou na hora da condenação em si (isto quando houver mesmo com provas) por pertencerem a estes grupos, sendo que o correto e ético é investigar independentemente de qual grupo pertence.
Enquanto as Leis forem desrespeitadas e os grupo forem tratados de formas excludentes, e a publicidade glamourizar a violência, cada vez mais será necessário as Leis Maria da Penha por aí.

Ps: Amanhã eu posto as imagens deste post

12 de nov. de 2009

Blogueira cubana é detida e agredida por agentes de segurança

Segundo diversos sites, a blogueira cubana Yoani Sánchez, de 34 anos, a conhecida crítica do governo cubano, foi detida e agredida no dia 05/11/2009 junto com amigos por agentes de segurança do governo cubano. A mesma, juntamente com amigos estava indo participar de uma manifestação em Havana. Segundo ela, os agentes informaram que ela estava indo longe demais com o seu blog.
Meu comentário: Isto mostra que Cuba não está se abrindo para o mundo como Raul Castro tenta mostrar. A total falta de liberdade de expressão em Cuba continua apesar de existirem blogs como o dela. Infelizmente ainda tem gente que acredita que Cuba é um país democrático. Democrático aonde? Como é democrático se tem atitudes como nossa Ditadura?
Fontes das notícias: O Globo, Folha Online, Portal Imprensa.
Fonte da imagem: O Globo.

2 de out. de 2009

Mas um filme brasileiro sobre nossas desgraças.

Sei que não podemos esconder as nossas desgraças, mas eu tento imaginar qual seria o motivo de haver tanto filme nacional onde o assunto principal é a nossa violência e a nossa miséria. Começou com Central do Brasil (sim, tinha um toque violento bem sutil no filme), depois Cidade de Deus, Carandirú, Tropa de Elite (Tropa de Elite não falou de novidade nenhuma. Todo mundo sabe que as drogas seguem a lei da Oferta e Procura. Quem compra tb tem culpa no cartório), Rota Comando, e agora Salve Geral. Acho que é Matrixazação (termo que criei, onde eu lembro da moda Matrix que surgiu nos filmes de ação após o filme Matrix) do nosso cinema. Será que realmente o povo compra a idéia? Ou adoramos a nossa própria desgraça? Mas ai de um gringo chamar a gente de país de 3º mundo e violento para arranjarmos encrenca. Não precisamos escancarar a nossa desgraça para o mundo como se o Brasil fosse o lugar mais violento do planeta. Muitos estrangeiros pensam que o Rio de Janeiro é o lugar mais violento da América do Sul por causa destes filmes. Mal sabem eles, que o local campeão da violência é Caracas (reportagem tem 2 anos mas não mudou muita coisa. Até piorou. Os Venezuelanos não tem prazer em divulgar a sua desgraça, preferem até esconder, mesmo que isto dê vantagens ao Governo), mas porque adoramos divulgar nossas desgraças para o mundo, todos pensam que aqui é pior que o Iraque. Sim, devemos exigir mais segurança, mas parece que ao mesmo tempo queremos mais violência e devemos mostrar este violência para o mundo. Seria uma mania nacional?
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