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6 de dez de 2011

Prisioneira de mim mesma - 3º Capítulo

Antônio na lanchonete tenta se acalmar depois do vexame de Maria. E neste momento fica lembrando da época que casou com ela e do alerta de Carlos, filho do primeiro freguês da construtora, quando ainda era bem jovem (tinha 19 anos na época). Carlos o alertou que Maria não aceita pobreza, que ela só pensa em status e que ela não levaria o menor jeito para maternidade. E infelizmente Carlos estava certo.
Enquanto está tomando um café, um médico aparece na lanchonete para tomar um cafezinho também.
- Antônio?! Quanto tempo! - Diz Carlos para Antônio.
- Carlos!!! Bastante tempo mesmo! Você é médico! Sabia que conseguiria se formar. - Retribui Antônio.
- Verdade. Consegui me formar, apesar do sufoco. E Maria, como está? Melhorou o gênio? - Pergunta Carlos tentando imaginar como está o gênio de Maria, porque na época em que ele era estudante de Medicina, Maria era terrível com Antônio. O humilhava por ser pobre na visão dela e que Antônio deveria esconder suas origens.
- Continua terrível, ou até pior. Só me chama de Antonie e pede que eu a chame de Marie. Batizou a minha única filha Jully e apesar dos meus protestos. E sempre desprezou a filha, até neste momento de dor que vou vivendo. - Diz Antônio revirando os olhos de tristeza.
- O que está acontecendo Antônio? - Pergunta Carlos preocupado.
- Minha filha Jully sofreu um AVC apesar de ser nova. Acho que deve ser o stress pelo fim do curso da Faculdade, o estágio e a mãe que não demonstra um pingo de amor por ela. Ela não bebe, não fuma. É saudável e teve isto. - Diz um Antônio desolado para um Carlos triste e preocupado.

Enquanto isto, Jully tenta identificar o som e o local em que está mas ainda assim sente dificuldades, mas tem certeza que está em um hospital. De repente, ela parece ouvir com uma melhor clareza e percebe que alguém está próximo dela.
- Quem será Meu Deus? Será alguém que conheço?
- Então você anda aprontando novamente né? Agora finge que está ruim da cabeça só para me atormentar e a seu pai. Mas seu pai é muito burro, como sempre foi. Se não fosse a sua mãe aqui, ele nunca teria a construtora. Sabe como seu pai conseguiu o primeiro contrato? Tive que mexer uns pauzinhos, mas o burro nunca percebeu, pensa que foi por competência dele somente. Infelizmente eu fiquei grávida de seu pai. Sempre odiei e odeio ainda a idéia de gravidez. Até queria uma gravidez se fosse de um cara rico, mas não uma touperia como o seu pai. A gravidez atrapalhou os meus planos. Tudo por culpa tua.
Aterrorizada, Jully reconhece a voz da mãe e escuta toda a fala da mesma. Qual teria sido os planos da mãe na época da gravidez? O que ela fez para que o pai tivesse conseguido o primeiro contrato da construtora? Jully percebe que não pode melhorar muito para conseguir finalmente entender a mãe e descobrir o porque dela tratá-la tão mal.

Um comentário:

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